Novo ingrediente proteico de babaçu atrai indústria B2B

A FiSA destacou a tecnologia da Bioinfood que multiplica por 4,5x o teor proteico do babaçu. Entenda o projeto e seu potencial para o agro.

Uma reportagem publicada pela FiSA destacou uma tecnologia de fermentação com leveduras capaz de multiplicar em mais de 4,5 vezes o teor proteico da farinha do mesocarpo de babaçu, elevando o índice de 1,5% para cerca de 7%. A matéria apresenta o projeto da Bioinfood, que transforma um coproduto extrativista de baixo valor comercial em ingrediente funcional com demanda industrial real no setor de proteínas alternativas.

O trabalho foi financiado pelo Programa Biomas InovAmazônia do GFI Brasil, com aporte de R$ 2,7 milhões do Fundo JBS pela Amazônia, e desenvolvido em parceria com o ITAL (Instituto de Tecnologia de Alimentos de Campinas).

O potencial represado da cadeia do babaçu

O babaçu é, segundo a reportagem, uma das maiores riquezas subutilizadas do agronegócio nacional. Em 2022, foram produzidas 30.478 toneladas de amêndoas, gerando R$ 71,3 milhões em uma produção integralmente extrativista, concentrada no Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins.

O potencial técnico da área disponível é de 1,5 milhão de toneladas por ano, enquanto a produção atual representa apenas entre 1% e 4% desse volume. A cadeia ainda depende do extrativismo manual, e a farinha residual do processamento do óleo segue, majoritariamente, sem destino industrial relevante.

Quebradeiras de coco e comunidades sustentam a cadeia produtiva

A matéria destaca o papel das quebradeiras de coco, mulheres organizadas há décadas em movimentos como o MIQCB, e da Rede Terra do Meio do Alto Xingu, aliança entre povos indígenas, ribeirinhos e agricultores familiares que reúne 35 organizações e 9 milhões de hectares protegidos no Pará.

Como a tecnologia da Bioinfood transforma o coproduto

De acordo com a reportagem, a tecnologia combina seleção high-throughput de cepas de levedura, hidrólise enzimática e fermentação controlada em biorreatores automatizados, convertendo os açúcares da farinha em biomassa proteica. O processo eleva o teor proteico a mais de 7%, resultando em um ingrediente com textura fibrosa, sabor equilibrado e maior densidade nutricional, já validado em protótipo de hambúrguer plant-based.

A matéria cita Osmar Netto, cofundador da Bioinfood e líder do projeto, que descreve o resultado como uma prova de conceito para toda a indústria: resíduos com matriz rica em carboidratos fermentáveis podem se tornar plataforma proteica de alto valor, desde que exista o micro-organismo certo e o processo adequado.

Uma plataforma aplicável além do babaçu

A mesma plataforma de fermentação é aplicável a outros coprodutos agroindustriais em escala global, como farelo de trigo e milho, farelo de arroz e cascas de oleaginosas nativas como castanha-do-Brasil, macaúba e cupuaçu – todos hoje com baixo aproveitamento proteico e alto volume de descarte.

O tamanho do mercado de proteínas alternativas

A matéria aponta também que o mercado global de proteínas alternativas deve atingir US$ 88,8 bilhões até 2034, com crescimento anual de 14,3%. No Brasil, o segmento movimentou R$ 1,13 bilhão em 2024, alta superior a 14% frente a 2023. Em termos econômicos, ingredientes proteicos funcionais podem atingir valores entre US$ 500 e US$ 1.000 acima da farinha convencional por tonelada.

Aqui na Bioinfood, enxergamos essa repercussão como validação de um caminho que já vínhamos construindo desde 2018: mostrar que biodiversidade brasileira e biotecnologia industrial não são discursos separados, mas podem (e devem) gerar valor real para cadeias extrativistas historicamente subaproveitadas. Seguimos avançando na fase de escala piloto-comercial, agora em desenvolvimento ativo de parceiros comerciais.

Perguntas Frequentes

O que a tecnologia da Bioinfood faz com o babaçu?

Ela usa fermentação com leveduras selecionadas para converter os açúcares da farinha do mesocarpo de babaçu em biomassa proteica, elevando o teor proteico de 1,5% para cerca de 7%.

Essa tecnologia funciona só com babaçu?

Não. A mesma plataforma pode ser aplicada a outros coprodutos agroindustriais, como farelo de trigo, milho e arroz, e cascas de oleaginosas nativas como castanha-do-Brasil e cupuaçu.

Quer entender como a Bioinfood desenvolve soluções biotecnológicas para transformar coprodutos agroindustriais em ingredientes de alto valor? Conheça a Bioinfood.

- Sobre o autor

Biológico, Doutor em Genética pela UNICAMP. Foi Pesquisador do Departamento de Genética do IB-UNICAMP e Pesquisador em Biologia Sintética na GranBio Celere por quatro anos. Liderou projetos de P&D apoiados pela FAPESP (Auxílio à Pesquisa Regular – UNICAMP) e ISI Biomassa (Senai – GranBio). É sócio co-fundador da BIOINFOOD.

Gleidson Teixeira

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