ESG na indústria ganha um novo capítulo com a conversão de resíduos agroindustriais em proteína vegetal.
O mesocarpo do babaçu, subproduto da extração do óleo do coco, não tinha destino industrial e era descartado em grande escala. Foi esse problema que motivou a BIOINFOOD, em parceria com o ITAL (Instituto de Tecnologia de Alimentos), a desenvolver um novo ingrediente proteico.
Desde janeiro de 2023, a Resolução CVM 59 obriga companhias abertas brasileiras a divulgar, no Formulário de Referência, práticas ambientais, sociais e de governança sob o modelo pratique ou explique.
A norma torna a origem sustentável de matérias-primas um critério cada vez mais observado por investidores.
O mercado brasileiro de proteínas alternativas movimentou R$ 1,13 bilhão em 2024, alta de 14% sobre o ano anterior, de acordo com dado divulgado pela própria BIOINFOOD.
Globalmente, a projeção é que o setor alcance US$ 88,8 bilhões até 2034, com crescimento anual de 14,3%. Esse cenário atrai empresas dispostas a transformar resíduos em ativos de valor.
Como a ESG na indústria se aplica ao caso da BIOINFOOD?
A ESG na indústria se aplica quando um resíduo sem destino comercial passa a gerar valor econômico, ambiental e social ao mesmo tempo. É o que ocorre com a farinha do mesocarpo de babaçu, historicamente descartada pela cadeia extrativista.
A BIOINFOOD multiplicou o teor proteico dessa farinha em mais de quatro vezes, saindo de 1,5% para cerca de 7%. O processo não exige novos cultivos nem desmatamento, já que aproveita um coproduto já existente na cadeia do óleo de babaçu.
O caso foi noticiado pela CNN Brasil, e pela EXAME que descreveram o projeto como resposta à falta de aproveitamento industrial do mesocarpo. O investimento inicial de R$ 2,7 milhões veio do Fundo JBS pela Amazônia, via Programa Biomas InovAmazônia do GFI Brasil.
Como funciona a tecnologia que transforma farinha de babaçu em proteína?
A tecnologia converte os açúcares da farinha de babaçu em biomassa proteica por meio de fermentação controlada em biorreatores automatizados. O processo combina três etapas técnicas que se complementam.
Antes de aplicar a fermentação em escala, a equipe precisou selecionar cepas específicas de levedura e ajustar o padrão de hidrólise enzimática. As etapas seguem esta sequência:
- Seleção de cepas de levedura capazes de metabolizar os açúcares presentes na farinha.
- Hidrólise enzimática para liberar os carboidratos disponíveis na matéria-prima.
- Fermentação em biorreatores automatizados, onde as leveduras convertem açúcar em biomassa proteica.
A tecnologia já foi validada em escala laboratorial, com um protótipo de hambúrguer plant-based produzido e avaliado.
A BIOINFOOD agora busca parcerias comerciais para escalar o piloto e garantir rastreabilidade da matéria-prima.
Quais comunidades são impactadas pela cadeia do babaçu?
A cadeia do babaçu impacta comunidades extrativistas do Maranhão, Piauí, Pará e Tocantins, formada majoritariamente por mulheres conhecidas como quebradeiras de coco. Três dados dimensionam esse impacto:
- Cerca de 62 mil pessoas vivem da coleta e do beneficiamento manual do fruto por gerações.
- O potencial técnico da área disponível é de 1,5 milhão de toneladas por ano, mas a produção atual não passa de 4% desse volume.
- O projeto contou com apoio da Rede Terra do Meio do Alto Xingu, que reúne 35 organizações indígenas, ribeirinhas e de agricultura familiar em 9 milhões de hectares protegidos.
Que resultados a conversão de babaçu em proteína já apresenta?
Os resultados já demonstrados incluem multiplicação do teor proteico da farinha e validação em escala laboratorial com protótipo funcional. A tabela resume os principais indicadores divulgados até agora.
| Indicador | Antes do processo | Depois do processo |
| Teor proteico da farinha | 1,5% | Cerca de 7% |
| Destino do mesocarpo | Descarte industrial | Ingrediente para alimentos plant-based |
| Escala de validação | Inexistente | Protótipo de hambúrguer avaliado |
| Aporte financeiro | Sem custeio dedicado | R$ 2,7 milhões (Fundo JBS pela Amazônia) |
Esses números indicam maturidade técnica suficiente para negociações comerciais, ainda que a BIOINFOOD não divulgue projeções de faturamento.
Qual o potencial de expansão para outras cadeias agroindustriais?
O mesmo método de fermentação pode ser replicado em outros coprodutos agroindustriais, ampliando o alcance da tecnologia além do babaçu.
Resíduos com potencial de reaproveitamento
- Farelo de trigo, milho e arroz, subprodutos comuns da moagem industrial.
- Cascas de oleaginosas nativas, como castanha-do-Brasil e macaúba.
- Coprodutos do processamento de cupuaçu, ainda pouco explorados comercialmente.
Segundo o relatório de dados de mercado do GFI Brasil, o setor de proteínas alternativas segue atraindo capital voltado a fermentação e novos ingredientes, mesmo em um ambiente global de investimento mais seletivo.
Sua indústria já avalia como transformar resíduos em soluções de ESG?
A BIOINFOOD desenvolve tecnologias sob medida para cada cadeia produtiva, unindo biotecnologia, redução de resíduos e novas fontes de proteína vegetal.
Conheça as soluções da BIOINFOOD para a indústria de alimentos e avalie o potencial de aplicação no seu processo.
Perguntas frequentes
O que é considerado uma prática ESG na indústria de alimentos?
É toda ação que reduz impacto ambiental, gera renda para comunidades envolvidas na cadeia produtiva e melhora a governança sobre a origem das matérias-primas, como no reaproveitamento de resíduos em proteína vegetal.
Qual a diferença entre a proteína de babaçu e outras proteínas vegetais?
A proteína de babaçu é obtida por fermentação de um resíduo agroindustrial já existente, sem exigir novos cultivos, enquanto proteínas como soja e ervilha dependem de plantio dedicado em larga escala.
Como uma indústria pode aplicar biotecnologia para reduzir resíduos?
O caminho passa por mapear coprodutos hoje descartados, testar processos de fermentação ou hidrólise em parceria com institutos de pesquisa e validar o novo ingrediente em escala piloto antes da comercialização.


